John Cage – O Gênio Que Renovou a Música

Postado por Flávio Coutinho - 22 de novembro de 2012 - Famosos, Música - Nenhum Comentário

Nascido em Los Angeles, Califórnia, aos 12 dias do mês de setembro, John Milton Cage Jr. completaria, neste ano, um século. Contudo, as comemorações não serão tão festivas como mereceria um artista de tamanho talento.

John Cage foi um grande compositor e teórico musical, além de escritor e pintor, um artista completo que usou da sua arte para retratar o que foi alvo de sua observação e objeto de sua investigação durante o tempo em que esteve entre nós: o cotidiano. E foi com esta temática que o artista americano foi consagrado como peça chave para a música contemporânea.

Artista John Cage

Artista John Cage

Mas se Cage é um artista de tamanha significância para o mundo da música, ou melhor, da arte como um todo, por que seu nome não  é lembrado e homenageado da forma que lhe é devido? Vladimir Safatle, em um artigo publicado no site RevistaCult.com, responde a esta pergunta com as seguintes palavras: “Dificilmente encontraremos alguém que foi tão longe da negação sistemática dos parâmetros que normalmente definem a racionalidade da forma musical quanto John Cage. O que explica por que sua obra continua sendo, em larga medida, desconhecida e de difícil abordagem”.  Continuando seu artigo, Safatle ainda sugere que os interessados ou curiosos apreciem sua obra em conjunto com o pianista Jay Gottlieb Music for Non Prepared Piano.

 A Trajetória do Artista

Cage ingressou no ensino superior em 1932, mas logo se sentiu desestimulado por causa do tipo de ensino ministrado na universidade. Com isso, o artista partiu direto para a Europa, passando por Paris e Mallorca, e foi sob a inspiração desses lugares reconhecidamente como paraísos da cultura que deu início a sua carreira como pintor e compositor.

John Cage

John Cage

Voltou para os Estados Unidos e retornou aos estudos em Nova York e, posteriormente, em Los Angeles. Ao voltar para a informalidade dos ares americanos, iniciou-se uma parceria com a escritora Gertrudes Stein, compondo músicas para seus textos e o coro da tragédia de Ésquilo, “Os Persas”. Em Seatle, em 1937, continuou seu trabalho fazendo composições para grupos de dança, assim como fez quando esteve em São Francisco, Chicago e, novamente, em Nova York.

Cage também foi reconhecido pelo uso não convencional dos instrumentos, como ocorreu em 1938, quando fundou uma orquestra de percussão, construindo um instrumento com materiais alternativos como madeira, cortiça, vários outros materiais, inclusive cordas de piano.

Em sua carreira como escritor, Cage escreveu dois livros: “O silêncio”  e “Um ano desde segunda-feira”, sem fugir da temática musical, é claro. Foi com essas duas obras que o artista expos suas concepções sobre a temática musical. O primeiro título expressa o conceito que o consagrou como o músico do silêncio, parte essencial de sua criação musical desde pequeno, como o próprio artista confessa: “Quando eu era jovem, um de meus professores costumava se queixar de que assim que eu começava uma música, já a encaminhava para o final. (…) Eu introduzi o silêncio. Eu era um solo – digamos assim – no qual o vazio podia crescer.”

Por falar em silêncio, a maior obra do artista foi (e continua sendo) a peça 4’33’’, cujo objetivo do autor foi que o público apreciasse os ruídos que ocorriam no ambiente nos momentos de silêncio da peça.

https://www.youtube.com/watch?v=www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zY7UK-6aaNA

 Influência Zen Budista

Zen Budista

Zen Budista

Sem dúvida alguma, uma das maiores influências sobre o estilo artístico de John Cage, além dos professores Henry Cowell e Arnold Schoenberg, aconteceu em uma de suas visitas à Asia, quando, nos anos 40, conheceu e se aprofundou nos estudos sobre o zen budismo, que contribuiu para a formação do conceito de música aleatória.

O Que é Música Aleatória?

Música Aleatória

Música Aleatória

O termo começou a aparecer no cenário musical a partir do século XX, para designar o estilo de música que não se preocupa com certos elementos da composição, deixando tais elementos por conta do acaso. Um exemplo sobre esse estilo são as interferências que uma música pode receber, sem que haja uma intenção exata ou uma pretensão preestabelecida. A música é composta de forma espontânea.

Para compor essas lacunas que a música deixava, Cage incluía seus instrumentos inusitados, como já citamos anteriormente, tais como parafusos, borrachas ou qualquer material que emitisse som.

Frases Célebres de John Cage

Frases de John Cage

Frases de John Cage

Assim como todo poeta e filósofo, a mente de Cage sempre borbulhou de pensamentos sobre a temática da vida, do cotidiano, mas nunca deixou de lado a música. Aprecie, então, as frases mais célebres e eternizadas do artista americano:

“Sou dos que amam apagar a distinção entre arte e vida.”

“Eu não consigo entender por que as pessoas estão com medo das novas ideias. Estou com medo das antigas.”

“Não há tal coisa como um espaço vazio ou um tempo vazio. Há sempre algo para ver, alguma coisa para ouvir. Na verdade, por mais que possamos fazer um silêncio, nós não podemos.”

“Estamos envolvidos em uma vida que ultrapassa o entendimento e o nosso maior desafio é a nossa vida diária.”

“As ideias são uma coisa e o que acontece é outra.”

“O maior objetivo é não ter nenhum propósito em tudo. Isso coloca a gente de acordo com a natureza.”

“A juventude mostra o homem tal como a manhã mostra o dia.”

“Sou dos que amam apagar a distinção entre arte e vida”

“A arte vem de uma espécie de condição experimental em que alguém faz experiências com o viver.”

Nada tenho a dizer e estou dizendo-a. Tal é  a poesia.

É inútil cantar canções de ninar para quem não consegue dormir.

Nós carregamos nossas casas dentro de nós e isso nos permite voar.

Não precisamos destruir o passado. Ele se foi.

Quando a música é separada da vida nós temos a arte.

“Nós não precisamos destruir o passado. Ele já se foi”.

“Eu não consigo entender porque as pessoas estão com medo de novas ideias. Estou com medo das antigas.”

E, por fim, a sua frase mais conhecida:

“I do not hear noise, I hear music”.

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