A Comunidade da Periferia de SP que Driblou o Sistema Monetário

Postado por Flávio Coutinho - 9 de junho de 2014 - Economia - Nenhum Comentário

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Não há meios de precisar quando e como o ditado “Nada vem até nós de graça” surgiu, mas é possível afirmar que mesmo antes desta frase ser expressa em palavras, o mundo já sabia o seu significado. Mesmo antes de existir o dinheiro em espécie, já havia muitas outras formas de pagamento pela comida e outras mercadorias. Aliás, o surgimento do dinheiro, a invenção da moeda não foi algo que surgiu por acaso, foi fruto de uma evolução histórica, com a finalidade de organizar melhor as negociações, ou seja, o dinheiro nasceu da necessidade da civilização. E convenhamos, não há  quem não goste de tê-lo sempre na carteira! As formas de pagamento que temos nos dias de hoje são as mais variadas. É claro que a espécie, baseado no sistema monetário de cada país (dólar, real, euro, etc.) são a base de toda e qualquer transação, mas não há como negar a importância dos intermediários, tais como cheque e cartão de crédito. Mesmo com a variedade de formas de negociação existentes no mundo, ainda há pessoas reinventando a roda, aliás, reinventando a forma de negociar. Como é o caso do Sampaio, moeda usada na periferia de São Paulo e que tem feito muito sucesso por lá.

A Moeda Social da Periferia

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Sob a manchete “É dinheiro de verdade, mas não é real”, o jornal Folha de São Paulo deu destaque a uma forma curiosa de compra e vender que está sendo adotada em determinadas regiões da cidade de São Paulo. Trata-se de uma “moeda social”. A moeda é fornecida pelo Banco Sampaio, localizado na Zona Sul da cidade. A estratégia usada é convencer os comerciantes a aceitarem a moeda que é adquirida pelos consumidores por meio de empréstimo no banco, os quais, por sua vez, fazem a troca da moeda sampaio para o real no próprio banco. O uso dessa moeda pode ser feito em açougues, mercados, padarias, lojas, locadoras de vídeo ou qualquer outro estabelecimento que seja conveniado com o banco. E é fácil saber se a moeda social é  aceita no estabelecimento, já que estes divulgam de forma bem visível essa informação. Na mesma matéria publicada pelo jornal, outra moeda social é mencionada, a apuanã, mas já foram detectadas no país outras cinco formas muito similares à utilizada pelo Banco Sampaio e pelo Banco Apuanã, ou seja, é elaborada, criada, materializada, regularizada e administrada por um banco comunitário, que funciona em forma de cooperativa e atua por regiões. É válido ressaltar que não se trata de um vale, como o vale refeição, transporte, etc. é praticamente um sistema monetário paralelo ao real. Aliás, essa forma de negociação não é exclusiva da cidade de São Paulo e, muito menos de nosso país.

Em Fortaleza, no Ceará, o Banco Palmas é a entidade financeira responsável pelas moedas sabiá, terra, tupi e maracanã, nomes muito típicos e icônicos em nosso país. Na Argentina, esse estilo de negociação foi adotado por comunidades na tentativa de superar uma crise pela qual o país estava passando. O número de aceitação foi bastante significante, já que cerca de 1 milhão de usuários da moeda foram registrados.

A Ideia é Interessante, mas não é Nova

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O dólar, o real e o euro entre outras moedas usadas atualmente não nasceram assim, do nada. Para entender um pouquinho sobre o surgimento da moeda e como eram feitas as negociações desde o homem começou a se interessar pelo produto que não tinha, mas queria adquirir, é preciso entender um pouquinho sobre a história das negociações através dos tempos.

Escambo

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A primeira forma que o homem encontrou para adquirir produtos que não possuía, não foi o roubo ou assalto, muito pelo contrário. Parece-nos que nossos ancestrais possuíam um excelente caráter e passaram a propor aos seus semelhantes uma troca: você me dá o que eu preciso e eu te dou o que eu tenho. Percebemos, então, que valor nessa época era algo muito relativo. A tal moeda de troca, geralmente, eram produtos vindos da caça ou da agricultura, ou seja, quem possuía a habilidade de pescar, ao perceber que a quantidade da pesca excedia à sua necessidade de consumo, tratava logo de negociar o excesso com quem  possuía algum tipo de cereal, por exemplo.

Metal

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Com a descoberta do metal para a fabricação de peças de utensílio doméstico e para a confecção de armas, o valor do metal começou a sobressair sobre as outras mercadorias. O fato de este material poder ser armazenado foi a mola propulsora para que ele fosse aderido de vez como moeda. Nessa época, o valor (o metal) passou a ser avaliado quanto ao peso e grau de pureza, sendo assim, a economia começou a tomar a forma do modelo que temos atualmente. Cada peça tinha o seu valor, assim como a moeda nos dias de hoje.

Moeda-Mercadoria

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Com o passar do tempo, as pessoas passaram a ser mais seletivas e as trocas já não eram feitas somente para se livrar do que havia em excesso, mas sim com o interesse de obter algo que lhe era necessário. Assim, algumas mercadorias passaram a ter mais valor do que outras, principalmente quando se tratava de um produto escasso, raro ou de grande utilidade. O gado e o sal eram as principais moedas-mercadoria. Na época da colonização, aqui no Brasil, o pau-brasil, cacau, açúcar, tabaco e as especiarias eram as moedas de troca mais comuns. Contudo, a visão de acúmulo de riquezas já era algo latente no ser humana e, com a impossibilidade de fazê-lo com essas peças, outra forma de negociação estaria prestes a surgir.

Moeda

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Foi a partir do metal e da fundição deste material que surgiu a moeda. Com sua valorização, peças em miniatura feitas de metal foram utilizadas para as negociações. Daí para chegar ao modelo (forma) de moeda (redonda e achatada) não demorou muito e, por sua praticidade, é usada até os dias atuais.

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