Quando Albert não era um Einstein

Postado por Flávio Coutinho - 29 de julho de 2014 - Ciência - Nenhum Comentário

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Você provavelmente já escutou ao menos um trecho desse rumor. Quando Albert não era nenhum Einstein, os professores não iam muito com a dele e ele nunca suportou a sala de aula, só conseguindo se formar porque um amigo, Marcel Grossmann, emprestava cadernos para que ele pudesse estudar em casa antes das provas. O diploma veio, mas o rapaz permaneceu por dois anos sem arranjar um emprego decente, aos 21 anos ele lamentava por não saber de onde viria sua próxima refeição. Formado em matemática e física pela Escola Politécnica de Zurique, na Suíça, o alemão não conseguia emprego de forma alguma, pois a reputação de aluno relapso não o ajudava. As tentativas dele de doutorado também só davam na água. Desencantado da vida, ele passou a viver dos trocados que levantava dando aulas particulares. Ele conta que a essa altura já havia abandonado por completo a ambição de algum dia trabalhar em uma universidade. Nessa altura ele tinha consciência também que precisava arranjar algo estável com certa urgência, qualquer trabalho com salário fixo estaria de bom tamanho e foi aí que o mesmo amigo que emprestava os cadernos para ele o indicou para um emprego em uma repartição pública suíça, o Escritório de Patentes, em Berna.

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O cargo que pouco tinha a ver com ciência foi abraçado com imenso carinho em uma carta emocionada que acabaria com “esse negócio de passar fome”. Em um trecho de agradecimento ele disse que não desonraria tal indicação e manteve sua palavra. Ele assumiu a vaga de “Expert de Terceira Classe” em 1902, aos 22 anos, e teria ganhado diversos títulos de Funcionário do Mês se tal “condecoração” já existisse. No trabalho ele analisaria calhamaços de especificações técnicas, comparando os projetos de quem requeria patentes com invenções que já estavam patenteadas. Ele passou sete anos na repartição, seis dias por semana, oito horas por dia. Mas foi lá, em sua mesinha, que ele produziu boa parte de sua obra. Com a Teoria do Movimento Browniano ele provou a existência dos átomos, fundou um pilar da física quântica com a Teoria do Efeito Fotoelétrico e isso lhe rendeu um Nobel aos 42 anos. Depois veio seu pilar, a teoria Especial da Relatividade, que apresentava o tempo e o espaço como uma só coisa, matéria e energia como duas faces da mesma moeda, eis a maior revolução da história do pensamento. Tudo isso escondido do chefe nos intervalos de um trabalho massacrante, agora sim Albert virara um Einstein.

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