Quando “Menos é Mais”, na Arte

Postado por Flávio Coutinho - 11 de junho de 2014 - Arte - Nenhum Comentário

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Mais antiga que a própria escrita, na arte está inerente um pouco do que somos e sentimos, ou seja, a arte é o reflexo do momento que a sociedade está vivendo ou anseia viver. Com isso, de tempos em tempos as características da arte mudam. As cores, os traços, as formas, as texturas, enfim, todos os elementos que compões uma obra estão suscetíveis a mudanças, algumas vezes muito drásticas, em cada época. Depois de passarmos por períodos em que a arte explorava o excesso de cores, formas e texturas, ter o homem como foco ou Deus como figura central do universo, estamos passando por um período em que “menos é mais”, não só no mundo da arte, mas também na arquitetura, na moda e em outras vertentes.  A este tipo de arte chamamos de arte minimalista.

O que é Esse Tipo de Arte?

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Já que estamos vivendo em uma era chamada de A Era da Informação, na qual somos bombardeados o dia todo com imagens cheias de cores e informações, nada é mais propício do que termos uma arte mais simplista e com menos informações de cores, formas e texturas, como é o caso da arte minimalista. Minimalismo é uma palavra que no remete à  ideia do pouco, e é isso mesmo que define o conjunto de movimentos artísticos e culturais que essa “onda” prega. São obras que contam com poucos recursos e elementos, e pode ser apreciado no campo das artes plástica, musical, na literatura e na linguística.

Como, Quando e Onde Surgiu?

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Uma coisa não há como negar, a arte minimalista abriga uma ideia muito moderna, bem diferente do que conhecemos como arte até os dias atuais e para acompanhar essa ideia vanguardista, muito de diferente dos movimentos artísticos que conhecemos até hoje, os quais geralmente têm o seu berço na Europa, a arte minimalista nasceu nos Estados Unidos, por volta dos anos 60. Muitos foram os artistas que contribuíram e se engajaram nessa nova maneira de expressar suas ideias e sentimentos, mas os três artistas de maior destaque e que se empenharam de fato nessa empreitada foram Sol LeWitt, Frank Stella, Donald Judd e Robert Smithson.

A Arte Minimalista em Diversas Manifestações

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Como já citamos e pudemos perceber ao falar sobre os artistas mais influentes desse movimento artísticos, não são só as artes plásticas que contam com a influência do minimalismo. Veja como outras manifestações artísticas também podem ser influenciadas.

Design

Os anos 80 foi uma década marcada pelo uso (e abuso) das cores, tanto em variedade quanto em intensidade. E foi como uma forma de protesto não declarado que a arte minimalista surge para dar certo equilíbrio às composições, criando peças com o mínimo de cores possível ou mesmo com uma ausência de cores. Além da redução das cores, as formas também receberam uma certa dose de redução.

Música

E como ser minimalista quando o assunto é música? O termo, na verdade, foi usado para definir musicas que contavam com a repetição de um mesmo trecho por diversas vezes ao longo da música, ou a economia de tons e notas musicais. Parece até uma monotonia pensar em uma música nessa condição, mas a música eletrônica, uma preferência dos jovens em danceterias, é um grande exemplo.

Literatura

“Ir direto ao assunto” pode ser considerado o lema da literatura minimalista. A economia de palavras para expressar o pensamento é uma característica muito marcante e essencial para a composição de uma obra literária considerada como minimalista, podendo até mesmo abrir mão de determinadas classes de palavras, como é o caso dos advérbios e o excesso de adjetivos. Evita-se descrever cenas, reações e emoções das personagens com requinte de detalhes. É tudo muito objetivo.

Linguística

A linguística nasceu como ciência na década de 70, mas foi em 95 que Chonsky lançou o Programa Minimalist, que abre mão do excesso de teoria para explicar aquilo que está sendo dito em uma construção frasal.

Artistas Minimalistas

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Além dos nomes que foram citados logo acima, outros podem ser destacados como sendo de grande importância para esse momento da arte. São eles:

Samuel Beckett: Grande referência para a literatura moderna, o dramaturgo e escritor irlandês, ao longo de sua carreira foi aos poucos se entregando ao minimalismo, tornando-se referência para os admiradores desse tipo de arte.

Raymond Clevie Carver: O escritor norte-americano também se rendeu aos poucos ao conceito do minimalismo, e foi influenciado por seu editor a dotar uma forma de escrita menos rebuscada e utilizando poucas palavras para expressar suas ideias. As dicas do editor foram bem aceitas pelo escritor e passou a ser uma forte característica em seus poemas.

Philip Glass: É um compositor norte-americano, conhecido por sua notoriedade e destaque entre os compositores do final do século XX. Philip não gosta de rótulos, até mesmo quando definem seu trabalho como minimalista, mas não há como negar a influência que o artista recebeu da arte minimalista.

Robert Bresson: Antes de chegar à carreira de cineasta, o francês já se dedicava a outras artes, como pintor e, posteriormente, roteirista. E ao longo de sua carreira, conquistou o título de mestre do movimento minimalista, afinal, já na década de 50, portanto 10 anos de o minimalismo ganhar força nos Estados Unidos, seu filme, O diário de um padre, já contou com características muito peculiares do movimento minimalista. Desde então os seus trabalhos são pautados neste tipo de arte.

Dan Flavin: Como a arte minimalista é uma arte moderna, o artista plástico norte-americano passou a lançar mão de elementos considerados como de grande importância para o mundo moderno, a fim de compor suas obras. A luz elétrica, por exemplo, é tema central em sua arte. Vale a pena conferir as obras criadas a partir de fluorescentes de Flavin.

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