Um Carro de Passeio tem Potencial para ser um Carro de Corrida?

Postado por Flávio Coutinho - 24 de junho de 2014 - Carros - Nenhum Comentário

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Até tem e se você já prestou atenção em modelos que competem em eventos como a Stock Car, certamente notou que alguns deles são inspirados em modelos do nosso dia a dia, o Chevrolet Astra, por exemplo, já foi o queridinho deles. No entanto, a diferença entre um carro de corrida e um carro convencional começa no conceito da construção de cada um deles, pois um carro que terá a função de transportar o motorista e os passageiros que podem ser sua família, amigos ou carona, terá de ser o mais confortável possível, enquanto que o modelo que será usado para arrancar nas pistas e rodar em alta velocidade, não se dá a esse luxo. Outro aspecto dos automóveis de passeio que é levado em consideração é a durabilidade dos componentes e isso engloba a segurança e intervém no preço do produto, coisas essas que são fundamentais. Tomando a Fórmula 1 como referência, nela nada disso tem importância, pois a palavra de ordem na competição é desempenho. As trocas de peças são constantes e infeliz o piloto que sugere a equipe para deixar o carro um pouco mais lento porque a trepidação está lhe incomodando.

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Há entre os motoristas comuns cotidianos os que se aventuram um pouco mais e apreciam o sabor da velocidade, mas mesmo esses certamente não achariam agradável a experiência de pilotar uma Ferrari ultrapassando a linha superestimada dos 300 km/h, isso porque o novato acostumado com os carros macios que rodam nas ruas teria a sensação de ter levado uma surra, além de ficar com o zumbido do motor impregnando em mente por alguns bons minutos depois da experiência. As peças do F-1 têm um custo elevado e ainda assim são descartáveis, já que partes como motor, freio, pneus, suspensão e outras mais trabalham sempre no limite da resistência e por conta disso sofrem um desgaste excessivo. Bastam algumas dezenas de voltas nas pistas para que tudo seja substituído por componentes novinhos e como é difícil encontrar algum motorista disposto a desembolsar sempre uma quantia elevada para trocar as peças de seu carro, isso dá uma sugestão à pergunta feita no início: parece bom negócio abrir mão de um pouco de desempenho em troca de maior durabilidade. No entanto, a geração movida a “Velozes e Furiosos” e “Need for Speed” pode contar hoje com oficinas especializadas em preparação, que incrementam o desempenho do veículo.

Fazendo um Paralelo entre F-1 e Carro de Passeio

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  • A começar pela que recebe mais atenção e também a que mais interfere no bolso, o consumo de combustível, não é de se admirar que o carro comum tenha uma vantagem folgada em cima do F-1. Ainda que usemos o carro de passeio menos econômico da época, ele fará em média 10 km com um litro de gasolina – valor esse que cai consideravelmente se o objeto em questão for um Camaro que tem autonomia de rodar 4 km/l – já o F-1 consome 1 litro de combustível para cada quilômetro rodado, já que o motor trabalha em rotações altíssimas e esquenta bastante.
  • Ainda sobre o motor, mas agora levando o aspecto da cavalaria, o F-1 tem em média 1.000 HP, isso em 20.000 RPM, enquanto em modelos convencionais de carros de passeio esse número fica abaixo dos 100 HP em média a 5.800 RPM.
  • Um F-1 não tem a necessidade de manobrar, por isso seu volante não torce tanto, já que o que vale são respostas rápidas aos comandos nas pistas. Dessa forma, o piloto consegue guinar o F-1 em ângulo parecido ao de uma meia volta completa no voltante comum, virando apenas um quarto da volta, volante esse que tem apenas 19 centímetros de diâmetro, enquanto que um carro popular tem cerca de 40 centímetros.

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  • Sobre pneus, os de um F-1 são projetados para ter máxima aderência no asfalto. Eles têm apenas três sulcos e por isso a área de contato com a pista é maior, já que a borracha penetra – literalmente – os poros do asfalto. Tamanho grip faz com que os pneus se desgastem em demasia, por isso eles se tornam inúteis em cerca de 100 quilômetros rodados. Os pneus do carro de passeio por sua vez não aderem tanto. Isso prejudica a performance, principalmente em curvas, mas em contrapartida os pneus duram em média 40 mil quilômetros.
  • Os freios de um F-1 produzem uma força de três gravidades contrárias à velocidade do carro (aproximadamente 30 m/s²), para que você tenha noção, se ele estiver a 150 km/h, pararia completamente em aproximadamente 30 metros. Já um carro de passeio na mesma velocidade executaria a manobra em aproximadamente 90 metros.
  • Uma característica dos carros convencionais que ameniza a trepidação é o fato de a suspensão ficar sobre as rodas do veículo, se assim não fosse, seria insuportável dirigir após algumas horas, mas as molas e amortecedores tornam essa experiência mais agradável. A suspensão de um F-1, por sua vez, é montada no próprio chassi, o que faz com que o motorista recebe total impacto enquanto está na pista.

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